segunda-feira, 15 de março de 2010

Património

O primeiro registo conhecido das contas desta Irmandade; “contas que dá Manuel Carvalho a Manuel Martins Furriel,” refere-se a 1847/48 e dá conta de uma receita de 37.490 reis procedentes de rendas de prédios rústicos (114 alqueires de centeio a 240 reis = 27.360) de castanheiros (2.180) e de palheiros (6.250) a que se opõe uma despesa de 20.600 reis.
Vinte e sete anos mais tarde, em 1874/75 a Irmandade recebeu de renda 239,5 alqueires de centeio no valor de 65.340 reis, de palheiros 7.000 e de castanheiros 3.175.
Data de 1878 o inventário feito aos depósitos (inscrições) na Junta de Crédito Publico que consistia de 16 inscrições todas numeradas ao juro de 3% ao ano e que totalizavam 3.100.000 reis (três contos e cem mil reis) uma pequena fortuna à época e da qual se desconhece o destino, apenas se sabe que em 1947 ainda eram recebidos os juros correspondentes a esse, ou diferente capital, conforme documento Nº 873 de Renda Perpétua e datado de 25 de Outubro no valor de 41$01 referente ao 1º trimestre. A partir daqui não há documentos em que estes depósitos ou juros sejam referidos.
Na lista das propriedades, elaborada em 1921, constam 21 prédios rústicos, porém alguns deles, devido ao desleixo e à falta de zelo das Mesas da Misericórdia, perderam-se ou foram incorporados nos terrenos dos arrendatários que os dividiram pelos herdeiros ou os venderam como se seus fossem.
No Compromisso de 1858, Capitulo decimo oitavo, pode ler-se o seguinte a propósito de prédios que pertenciam à Misericórdia e não estavam registados em seu nome.

“Dos Imprazamentos

Como na nossa Santa Casa existão alguns prédios imprazádos, estes a maior parte delles feitos em antiquíssimos tempos, e como delles não existe documento algum para a sua legalidade, havemos por bem aprovallos e os damos por bem feitos de hoje em diante; assim como alguns qe há pouco se fizerão, e todos aquelles qe de hoje em diante se fizerem, logo que a Meza o julgue conveniente, isto é de utilidade para a Santa Casa.”

Também se faz referencia em vários documentos dos séculos XVIII e XIX à existência de um hospital que seria propriedade da Irmandade e que esta administraria. O edifício onde esteve instalado o dito hospital foi reconstruído em 1993 para dar lugar, no R./chão à câmara ardente onde são velados os mortos e o 1º andar destinado albergar o Museu Etnográfico ainda em fase de instalação.



Foi também mandado construir pela Misericórdia o Calvário, onde existe um cruzeiro datado de 1714, assim como os nichos da Via-sacra, feitos em 1797, construídos em granito com quadros pintados em madeira mas que foram substituídos por painéis de azulejo no último quartel do século passado apagando-se assim mais uns tantos documentos históricos.
Todas as reparações efectuadas ao longo do tempo, no Calvário, no hospital e nos Nichos foram feitas e pagas pela Santa Casa, conforme consta nos resumos das contas da Irmandade, uma das últimas reparações ocorreu em 1939 e nela foram gastos 2.433$71 em materiais e mais 109 dias de trabalho segundo relatório da despesa que se anexa.
Durante várias décadas, talvez nos primeiros três quartéis do século passado, a Misericórdia do Soito esteve semi-apagada existindo como simples Irmandade religiosa em que os poucos recursos que usufruía eram canalizados na sua maioria para pagar a celebração de Missas por alma dos irmãos falecidos sendo por demais ignorada a razão primeira que levou à criação das Misericórdias que era o apoio aos mais desfavorecidos.
Depois de altos e baixos no seu funcionamento e de se temer a sua extinção ou incorporação noutra Irmandade, um grupo de Soitenses incitados pelo pároco de então Padre João Maria Domingos decidiu revigorar a Instituição e levar a cabo a construção de um Lar para idosos.
A ideia surgiu aquando do Dia Internacional da Criança, comemorado no Soito em 17 de Junho de 1979, sendo então formada uma Comissão para promover o acto eleitoral que viria a ter lugar a 30 de Dezembro do mesmo ano e que elegeria como Provedor o Sr. João dos Santos Oliveira cuja hercúlea tarefa era desenvolver todo o processo; projecto, construção e instalação do ansiado Lar.
Menos de dois anos depois, a 20 de Setembro de 1982, e após um longo processo burocrático, foi lançada a primeira pedra, tendo a construção demorado cerca de quatro anos e o seu custo ter atingido a soma de 53.525.252$10.
A abertura efectuou-se a 10 de Janeiro de 1987 com 16 utentes e foi inaugurado a 11 de Março de 1989
Hoje, com cerca de 80 utentes e face às novas exigências legais para este tipo de instituições, foi necessário proceder à construção de um novo imóvel que acabou por ser inaugurado com a presença do Sr. Ministro Fernando Negrão no dia 26 de Julho de 2004.
Dotado de 28 quartos todos equipados com casa de banho privativa, encontrando-se entre eles alguns que respondem aos mais elevados requisitos de nível hospitalar, no sentido de prestar um melhor serviço e conforto a que os doentes têm direito.
Este edifício composto de Cave, R/chão e 1º andar e com mais de 1200 m2 por piso, demorou cerca de quatro anos a ser construído e o seu custo ultrapassou o milhão e meio de euros.
Este “novo Lar” deve-se à persistência e ao empenho do Provedor Sr. Manuel Joaquim Fogeiro Rito que há mais de 18 anos ocupa com dedicação o cargo de máximo responsável pela Instituição.
Março2006

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